Nasceu pobre, cresceu pobre, viveu pobre e agora?
Morreu pobre! Oras!
A vida lhe pregou tantas as peças, que não restou mais nenhuma a se pregar.
Sofreu de tudo quanto se pode imaginar!
E quando o esperado era se corromper, as peças que os pecadores pregam, ele não pregou.
Foi sincero, foi honesto, trabalhou e esforçou.
Entendo, que de muito sofreu, mas daquilo que provou, provas que é merecedor do céu!
Obrigado, ao doutor advogado.
Agora vamos ouvir do réu, o que tens a contar de sua vida.
A palavra é sua, Sebastião.
(nada se ouviu no tribunal)
Oras Sebastião. Nada tens a contar?
Tenho não, Senhor.
Como assim não? Qual sua história de vida?
Um pai e uma mãe. Dez irmão. Vinte filho. Trinta cachorro. E Madalena.
Hum. E como viveste?
Vivi bem, Senhor.
Sebastião, estás a contradizer seu advogado. Não fora pobre?
Fui sim, Senhor.
Então como dizeis que viveu bem?
Vivi tempo suficiente para descobrir que a felicidade não está nos bem que a gente carrega, Senhor.
Ela está nas coisas simples da vida. Tive dois motivos para aprender sobre carinho.
Dez motivos para aprender a compartilhar. Vinte motivos para aprender o valor da vida.
Trinta motivos para aprender sobre amizade. E não precisei mais que um motivo, para aprender sobre o amor.
Entendo, Sebastião. Aprendeu todas as virtudes da vida.
Então lhe declaro culpado, viverás o resto da vida no inferno.
Pobre coitado, Senhor. Olha como ele vai, em passos amiúdes e cabisbaixo.
Pobre de ti, advogado. Achou que eu não ia pregar mais uma pecinha no coitado.
(E as gargalhadas ecoaram)
Souza Neto
Nasceu pobre, cresceu pobre, viveu pobre e agora?Morreu pobre! Oras!A vida lhe pregou tantas as peças, que não restou mais nenhuma a se pregar.Sofreu de tudo quanto se pode imaginar!E quando o esperado era se corromper, as peças que os pecadores pregam, ele não pregou.Foi sincero, foi honesto, trabalhou e esforçou.Entendo, que de muito sofreu, mas daquilo que provou, provas que é merecedor do céu!Obrigado, ao doutor advogado.Agora vamos ouvir do réu, o que tens a contar de sua vida.A palavra é sua, Sebastião.(nada se ouviu no tribunal)Oras Sebastião. Nada tens a contar?Tenho não, Senhor.Como assim não? Qual sua história de vida?Um pai e uma mãe. Dez irmão. Vinte filho. Trinta cachorro. E Madalena.Hum. E como viveste?Vivi bem, Senhor.Sebastião, estás a contradizer seu advogado. Não fora pobre?Fui sim, Senhor.Então como dizeis que viveu bem?Vivi tempo suficiente para descobrir que a felicidade não está nos bem que a gente carrega, Senhor.Ela está nas coisas simples da vida. Tive dois motivos para aprender sobre carinho.Dez motivos para aprender a compartilhar. Vinte motivos para aprender o valor da vida.Trinta motivos para aprender sobre amizade. E não precisei mais que um motivo, para aprender sobre o amor.Entendo, Sebastião. Aprendeu todas as virtudes da vida.Então lhe declaro culpado, viverás o resto da vida no inferno.Pobre coitado, Senhor. Olha como ele vai, em passos amiúdes e cabisbaixo.Pobre de ti, advogado. Achou que eu não ia pregar mais uma pecinha no coitado.
(E as gargalhadas ecoaram)
Souza Neto
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